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Os caminhos percorridos pelo poeta Vitor Miranda em seus 10 anos de arte e poesia

Vitor nasceu na capital paulista e morou até os 14 anos no Jaguaré, bairro da zona oeste de São Paulo, e estudava em um colégio de freiras. Quando a sua família saiu da periferia para morar num bairro de condomínios de classe média, Vitor passou a estudar em um colégio público do Estado. Amante das artes desde sempre, ele escolheu não cursar uma faculdade e dedicar-se aos diversos cursos de atuação. 

Vitor é fotógrafo, videomaker, entrevistador, poeta e também já atuou num curta-metragem em 2010. Junto com o diretor desse curta, Leonel Ramos Sant’Anna, criou ‘Documentos Urbanos’, numa época que gostava de documentar coisas que aconteciam pelas ruas de São Paulo.

Eles cobriam eventos artísticos e esportivos como Le Parkour, até começar as ondas de manifestações em 2011, quando toda a atenção da dupla se voltou para as manifestações onde as pessoas reclamavam contra o desmatamento da Amazônia e pelo direito de se expressar, após a polícia militar do governo Alckmin ter reprimido uma manifestação pela legalização da maconha.

Um exemplo disso é o vídeo produzido por eles sobre a Marcha da Liberdade, quando entrevistaram Caco Barcellos e Gero Camilo, pessoas que o Vitor admira bastante. Nesse vídeo, ele também entrevista membros do Movimento Passe Livre (MPL), organizadores dos primeiros protestos em São Paulo que reclamavam o aumento da tarifa de ônibus. Logo depois, em 2013, os protestos se espalharam pelo país devido ao aumento da repressão policial contra manifestantes e jornalistas. 

Vitor viveu intensamente esses protestos atuando como  fotógrafo ativista, quando ele e seu parceiro de Documentos Urbanos, Leonel, fizeram um único episódio sobre o dia mais tenso dos protestos.

No mesmo ano, ele realizou dois curta-metragens. Uma ficção autoral baseada num conto que ele escreveu, chamado ‘Pise Fundo Meu Irmão’. Além de escrever o conto, ele dirigiu, produziu e atuou. Vitor ganhou o prêmio de melhor ator  pela interpretação em ‘Pise Fundo Meu Irmão’ no 5° Festival Graça Aranha de Cinema Independente.

A vida de Vitor é pura poesia e até mesmo a despedida do amigo Pietro Santurbano, que foi para a Itália, virou curta-metragem. No curta ‘Cartas’, pessoas que vivem no ambiente urbano tornaram-se protagonistas. No filme, catadores de latinha, pessoas em situação de rua e garotas de programa aparecem lendo trechos do livro ‘Cartas a um jovem poeta’ de Rainer Maria Rilke. Com o vídeo, César Spadella, Pietro e Vitor ganharam o prêmio de melhor documentário no I Cine Urge: Festival de Cinema de Cornélio Procópio.  

Já em 2014, Vitor faz sua estréia na literatura com um livro de contos chamado ‘Num Mar de Solidão, publicado pela Giostri Editora. O livro conta sobre a fase vivida por Vitor nas madrugadas do centro de São Paulo, quando o jovem estava conhecendo o âmago urbano e toda a solidão imposta pelas paredes dos bares.

Essa fase também foi inspiração para outro estilo literário, chamado ‘Urbano Noir’, que surgiu recentemente numa conversa de Vitor com o escritor curitibano Daniel Osiecki, que também escreve contos. Eles chegaram nessa nomenclatura ao falarem sobre seus contos e pensaram na relação com a estrutura dos centros das cidades onde moram, São Paulo e Curitiba, respectivamente, onde a boemia acontece durante as noites, tendo como cenário as ruas e a arquitetura antiga. Segundo os poetas, essa atmosfera dá a impressão de estar num filme noir, como O Falcão Maltês, romance policial mais famoso do século XX, onde os personagens de Vitor e Osiecki transitam.

Também em 2014, Vitor deu início a uma vida forasteira, impulsionada, principalmente, pelos festivais em que os dois curta-metragens participaram. Ele colocou seu carro na estrada e viajou por algumas cidades do interior do país e litoral. Fase que cultivou amizades verdadeiras, principalmente em Curitiba, Cornélio Procópio-PR, Piraju-SP e Registro-SP. Desde então ele tem colecionado histórias ao viajar por diversas cidades, adentrando algumas intimidades, aprofundando-se nas complexidades das famílias, na dele e na dos seres humanos.

Numa dessas viagens a Curitiba, Vitor fez uma leitura no Vox Urbe, evento do poeta Ricardo Pozzo, que acontecia no antigo Wonka, quando a amizade com Pozzo e com o poeta Jaques Brand começou. Nessa época, Vitor escreveu ‘Poemas de amor deixados na portaria’, inspirada em uma relação amorosa muito intensa e conturbada, tornando-se mais tarde um marco na carreira musical de Vitor. Mas sobre isso falaremos adiante.

Seguindo na linha do tempo dos trabalhos realizados pelo Vitor durante esses 10 anos de arte e poesia, chegamos a 2016, um ano bem intenso para ele. Em fevereiro, Vitor foi para Yaoundé, capital da República dos Camarões. Indicado por Marco Matheus, ele dirigiu a fotografia do filme ‘Scam Republic’, do produtor Ken Ngwa. Um trabalho que rendeu boas aventuras, muitas confusões e um filme problemático, mas que resultou em um belo trabalho fotográfico sobre o cotidiano da capital de um país africano, que futuramente participaria da exposição ‘Três Amigos e Seus Olhares: África’

Vitor, Paulo Villar e João Mantovani reuniram-se para falar sobre a influência da cultura africana no Brasil. Vitor buscando as pessoas africanas, Paulo registrando a cultura religiosa recebida da África e João com imagens telúricas de um solo brasileiro que recebeu o povo africano. Essa exposição ficou três semanas no Piola Jardins e um mês e meio no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), tornando-se notícia em todos os jornais da cidade.

No segundo semestre de 2016, Vitor voltou a trabalhar com o tema político, mas agora nas eleições. Neste trabalho, ele fez a direção de vídeos de uma campanha política em Cornélio Procópio. Foi quando essa que vos escreve conheceu o poeta, trabalhando na mesma campanha. Eu fui testemunha de uma das parcerias mais frutíferas do Vitor até agora, com o também meu amigo e músico Eduardo Lopes, mais conhecido como Touché.

Durante a campanha eleitoral, o Vitor e o Touché iniciaram uma parceria musical muito bonita, quando Touché musicou alguns poemas do Vitor. Em dezembro, Vitor lançou ‘Poemas de amor deixados na portaria’ num evento realizado em um bar em Cornélio Procópio. Durante o lançamento, Touché apresentou-se cantando alguns poemas do Vitor.

Em São Paulo, João Mantovani e Arthur Lobo, que também tinham musicado alguns poemas dele, estavam ensaiando a apresentação para o lançamento de ‘Poemas de amor deixados na portaria’, que aconteceria no fim de janeiro de 2017 na capital paulista. Eles passaram a virada do ano juntos em Pouso da Cajaíba, Paraty, acompanhados do violinista Danilo Trevisan, onde fizeram várias apresentações. Foi nesse momento que surgiu o personagem do poeta, quando o público que comparecia nas apresentações, chamavam Vitor de poeta. 

Até a chegada do lançamento, Binho Siqueira e Henrique Stella entram na história. Juntos, eles fizeram um show muito bonito no Quinto Pecado Café & Bistrô, onde nasceu a Banda da Portaria.

Eles montaram um show e começaram a se apresentar em teatros e bares de São Paulo. Num estúdio caseiro, eles gravaram as primeiras canções, produzidas por João Mantovani e Arthur Lobo, mixadas e masterizadas por Ricardo Prado. Em 2018, eles lançaram as ‘Canções de amor deixadas na portaria’.

Em 2018, Vitor lança seu segundo livro de poesia, A gente não quer voltar pra casa’, resumindo seu sentimento forasteiro. Com poemas escritos na época de suas andanças pelo interior e litoral, o livro foi publicado pela Kotter Editorial. Nessa época, Vitor voltou a frequentar Curitiba assiduamente devido ao lançamento do livro e um relacionamento amoroso.

Entre São Paulo e Curitiba está a cidade de Registro. Lá Vitor faz pouso na casa de Miê Liriá e José Carlos Jr, que conheceu nas cavernas do PETAR. José Carlos também tornou-se parceiro musical do poeta e, em Registro, ele também faz o lançamento de ‘A gente não quer voltar pra casa’ num sarau que se apresentou com Miê e José Carlos. Seguindo viagem para lançar seu novo trabalho, em Cornélio Procópio Vitor fez uma apresentação com o Touché na Semana Literária do Sesc Paraná. Depois disso, ele vai à Paraty na FLIP 2018.

No fim de 2018 a Banda da Portaria acaba, mas retorna em 2019 com uma nova formação. Dessa vez, Vitor e João tornam-se parceiros do guitarrista Daniel Nakamura, do percussionista Telo Ferreira e do baixista e produtor musical Daniel Doctors.

Do início de 2017 ao início de 2019, Vitor dedicou-se a escrever seu primeiro romance, uma prosa poética experimental que recebeu o títuloA moça caminha alada sobre as pedras de Paraty’. Ele levou exemplares do livro à FLIP 2019 e fez o lançamento em São Paulo um mês depois. Em Cornélio Procópio, ele lançou o seu novo livro no SESC, na UENP e na UTFPR, novamente em apresentações com seu parceiro Touché. Mas dessa vez, trechos do livro são inseridos dentro de canções. O show recebeu o nome de uma das músicas do projeto da parceria entre o músico e o poeta, chamado ‘Margaridárida’

Pouco tempo depois, Vitor foi homenageado no Sarau Sopa de Letrinhas, do poeta Vlado Lima, onde teve a oportunidade de reunir um grupo de poetas e escritores que se conectaram e viriam a ser o princípio de um movimento. Ainda em 2019,  ele cria um programa de entrevistas chamado Prosa com Poeta e começa a entrevistar artistas. Teve a oportunidade de entrevistar uma de suas maiores referências, a poeta Alice Ruiz. Surge aí uma amizade e escrevem alguns poemas em parceria.

Com a chegada da pandemia de coronavírus em 2020, Vitor e Touché juntam-se novamente para lançar uma música videoclip no youtube produzida à distância. ‘Meu Guru’ faz uma crítica ao papel do governo na pandemia com bom humor.

Margaridáridas floresce novamente e Vitor e Touché gravam mais uma música, mas agora à distância e produzida por Giovani Nori. ‘Exátomos’ foi lançada em todas as plataformas e também tem um videoclipe no Youtube.

A produção e os lançamentos se intensificam e a Banda da Portaria lança ‘Eu amo andar’, um single que já haviam gravado antes da pandemia, mas que foi lançado durante. Você pode ouvir nas plataformas de streaming.

Com artistas do Brasil inteiro, Vitor dá início ao ‘Movimento Neomarginal’ para criar um diálogo entre artistas de extrema qualidade que se sentem excluídos da classe artística por diversos motivos, como a localização onde vivem, a falta de dinheiro para investir em publicidade, entre diversos aspectos do mercado, que exclui uma imensidão de talentos da produção artística.

No final de 2020, o poeta volta à Cornélio Procópio para mais um trabalho eleitoral. Quando o trabalho chega ao fim, ele e Touché pegam a estrada para gravar dois singles com produção de Daniel Doctors. A músicaMargaridáridas’ é lançada em fevereiro de 2021.

Em dezembro de 2020, a Banda da Portaria lança o single ‘Vida’, parceria com a poeta Alice Ruiz. A música sai acompanhada de videoclipe, confira:

E logo, logo vem novidades por aí! Atualmente Vitor está em estúdio com a Banda da Portaria gravando o álbum ‘Há tanto tempo’, produzido por Daniel Doctors com apoio da Cave Pool. 

‘Paixonietzsche’, do projeto Margaridáridas está em final de produção e em breve a dupla lança mais esse single. E como se não bastasse tanta produção, tem cheiro de livro novo no ar. Em breve o poeta Vitor Miranda lança seu livro de contos ‘O que a gente não faz pra vender um livro?’, com textos escritos durante os anos de hiato entre o primeiro livro até esse, seguindo a mesma temática do Urbano Noir

Vitor também está produzindo a primeira antologia do Movimento Neomarginal.

Fernanda Calandro
Fernanda Calandrohttps://gazetadiaria.com/
Profisisonal de Marketing de Conteúdo. Apaixonada por cachorros, comida, tecnologia, marketing, soluções simples e inovadoras. Online desde 1997 | Escrevo para web desde 2014. Contato: [email protected]

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