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O que a gente não faz para vender um livro?

“A todxs que estiveram comigo no p*teiro, no baile funk, no cemitério, em Curitiba, no Sesc Pompéia, na Praça Roosevelt e em qualquer outro lugar que me inspirou ideias para esses contos.” É assim que o irreverente e multifacetado autor Vitor Miranda inicia os agradecimentos de seu mais novo livro de contos: “O que a gente não faz para vender um livro?”

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Pelo título e agradecimento você já pode imaginar o que vem por aí? No livro, Vitor conta histórias cotidianas, temperadas com humor ácido, deboche e um pouco de melancolia.

Com ilustrações de Fernanda Bienhachewski e projeto gráfico de Iris Gonçalves, o primeiro conto é sobre uma namorada que pede ao poeta para procurar um emprego. Mas na entrevista, ele revela o subemprego e a condição da maioria das oportunidades.

O que a gente não faz para vender um livro?
Ilustração de Fernanda Bienhachewski à esquerda e Vitor Miranda à direita.

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Usando uma linguagem atual, freses curtas e cheio de diálogos, Vitor Miranda aborda temas sensíveis como a falta de grana, racismos, drogas, vida noturna, violência doméstica, violência urbana, aborto e outras situações, que geralmente se passam nas ruas de São Paulo.

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Conversando com o autor

Conversando com o Vitor, pedi para ele falar sobre suas inspirações na hora de escrever. “Eu penso parecido com Marcelino Freire, que diz que escrever é se vingar da vida. Eu escrevo contos pra me vingar da vida também, pois acho a vida chata. A vida é uma merda, mas eu preciso me divertir e me divirto escrevendo.”

 

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Vitor acredita que é por isso que escreve de maneira tão divertida: “Até porque eu penso que ler deve ser divertido. Eu sou escritor, então leio livros difíceis de ler, pois eu tenho prazer em me aprofundar na linguagem.”

Vitor gostaria que mais pessoas tivessem esse prazer, mas sabe que elas trabalham em outras coisas e a leitura para essas pessoas é um prazer de relaxamento. “Por isso eu tô afim de me comunicar, pois já escrevi meu livro difícil de ler. Os contos é a minha comunicação, é o meu entretenimento metafísico. No livro há camadas filosóficas, psicológicas e de críticas sociológicas das relações entre as pessoas, mas é um entretenimento feroz. As pessoas se divertem lendo, talvez por isso o livro esteja vendendo bem”, disse.

Para o escritor, a inspiração vem da necessidade de se comunicar, preferencialmente com a maior variedade de leitores. “Na última semana, por exemplo, um motorista do Uber comprou o livro, o diretor de uma multinacional e uma artista plástica. Esse é um objetivo que eu tenho, furar as bolhas. Eu nunca fui um artista de nicho por causa disso, eu odeio bolhas, odeio panelas, pra mim é algo que emburrece.”

 

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 Para Vítor, artistas que se fecham em bolhas ou panelas neoliberais, são apenas artistas por profissão. “Quando um profissional cresce na vida, vira um burguês, que enche a geladeira e a dispensa de comida e deixa tudo estragar. Eu não vejo a hora de fazer sucesso e virar um burguês também. Mas daí vou me aposentar, pois não terei como escrever coisas relevantes no alto da torre de marfim”, disse.

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O escritor publicitário aproveitou para divulgar o Movimento Neomarginal, que segundo ele, está na UTI. “O neomarginalismo está impregnado do experimental, do vivencial, do empirismo. Então, muitas vezes eu vou atrás de alguma coisa para eu ter alguma história pra contar. Mas tem histórias que não acontecem comigo, por características físicas, por exemplo, e não deveria acontecer com ninguém”, disse.  

E continuou: “Então, quando a gente lê e assiste às notícias, já é uma experiência o sentimento de indignação que nos toma e a gente escreve pra tentar gritar junto por socorro, por ajuda, e mais do que nunca, para agredir o agressor”, refletiu.

Para concluir sua reflexão, Vitor disse que precisamos parar de resistir e atacar. Para o autor, resistir é como ficar apanhando a vida inteira. “Não gosto dessa palavra usada nesse contexto do protesto. Outro dia me chamaram para um sarau da resistência num bar de um bairro de classe média e eu fiquei pensando: essas pessoas vão resistir contra o que? Todo mundo concorda com todo mundo.”

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Também falei com o escritor sobre seu processo criativo. “Eu não sei se eu tenho processo criativo, não sei se eu crio algo. Criar parece um negócio que leva tempo, eu só ando por aí, converso com a maior variedade de pessoas, leio, vivo, e de repente, escuto uma frase, ou eu mesmo digo uma frase do nada, e é da onde surge uma potência de agir. Então eu sento e escrevo uma parada do nada, e nasce assim, em minutos.” 

 

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 Vitor não gosta da palavra processo. “A palavra processo me dá um sentimento kafkiano de uma chatice processual, demorada, sem sentido, acadêmica. Eu sou antiacadêmico, não tenho nada contra quem é acadêmico, quer dizer, só em alguns casos”, disse.

Vitor se posiciona contra o sistema e diz que existe algo no comportamento dele que não se enquadra nesse processo. “É como o Leminski disse no poema: “há de chegar um dia onde tudo que eu diga seja poesia”. Para o escritor, chega um momento que a gente fica tão íntimo da linguagem, que a linguagem já faz parte do corpo, o pensamento já pensa em forma de linguagem, o instinto é linguagem.

Capa "O que a gente não faz para vender um livro?

Leia o livro, mas sem pressa! Muitas cronicas que você encontra em “O que a gente não faz para vender um livro?” irão exigir de você maturidade e despreendimento. Você está preparado (a) para isso?

Garanta o seu exemplar

Para garantir o seu livro, entre em contato pelo Instagram do poeta: @vitormiranda ou pelo email: [email protected]. O valor é R$ 35,00 e você pode fazer um pix.

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Fernanda Calandro
Fernanda Calandrohttps://gazetadiaria.com/
Profisisonal de Marketing de Conteúdo. Apaixonada por cachorros, comida, tecnologia, marketing, soluções simples e inovadoras. Online desde 1997 | Escrevo para web desde 2014. Contato: [email protected]

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