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Escute Margaridárida, um poema envolvente e romântico que traduz em metáforas o ato do amor

Margaridárida é a música que dá nome ao projeto musical Margaridáridas, da parceria entre o poeta Vitor Miranda e o músico Touché. O poema erótico e romântico traduz em metáforas o ato do amor. Na melodia de Touché e no arranjo do produtor Daniel Doc, que inspirado em Miles Davis, norte-americano trompetista, compositor e líder de banda, considerado um dos mais influentes músicos do século XX, nos enlaça numa sedutora musicalidade através do som do trompete e do teclado synth.

De acordo com o poeta Vitor Miranda, Margaridárida é o nome da música que deu nome ao show que ele e Touché fizeram no Sesc Cornélio Procópio em 2019 e que acabou dando nome ao projeto quando começaram a gravar. “Eu não sei muito bem o que é o Margaridáridas, mas imagino algo sem forma física, já que a poesia é algo parecido com Deus, uma invenção da humanidade que depende da crença de um único ser que seja capaz de convencer outros seres da beleza daquilo para poder existir”, disse.

O poema, que serviu de letra, foi uma forma de criar beleza com a linguagem e descrever o amor íntimo entre duas pessoas através das flores. Segundo Vitor, essa é uma forma de descrever o amor íntimo muito diferente das vezes que outros poetas fizeram ao usar flores para descrever essa intimidade.

“Touché, Doc e os músicos Ricardo Prado e Reynaldo Izzepi elevaram o poema a um prazer tântrico e acho que isso aconteceu pelo encontro de duas referências da musicalidade negra, que são os tambores do Candomblé, pois o Touché é Ogã, somado ao sopro de Miles Davis”, explicou Vitor.  

Já o Touché se lembrou de quando Vitor lhe enviou o poema e mesmo antes dele perguntar se “dava música”, Touché respondeu que sim. “Isso acontece porque eu percebo em muitos poemas do Vitor o ritmo. Isso facilita e, mesmo carecendo de alteração de uma ou outra palavra. E essa alteração é sempre feita em decisão conjunta com o escritor”, falou.

“A letra traz essa sedução, o ato de amor, então me veio uma condução mais calma para ela, pois carece de sutileza e não a aspereza de prazer pelo prazer. A criação da melodia e a harmonia veio com o violão. Como aconteceu em outras parcerias com o Vitor, a música chegou quase pronta. Eu alterei poucas coisas na forma como foi concebida”, explicou.

E continuou: “Quando chegamos à produção propriamente dita, conduzida brilhantemente pelo Daniel Doc, comentei de um ritmo que tocamos no Candomblé, o egó. Assim colocamos os tambores como chão. A voz um pouco sussurrada e o violão na gravação sou eu que faço. E quando entram os teclados do Ricardo Prado conseguimos visualizar, até melhor porque a música é muito imagética, o plano espacial. E nesse lugar, entre o chão e o espaço, as notas e as pétalas dançam ao vento tornando-se menos áridas. Ainda faltava mais um elemento sensual para conduzir-nos ao momento de êxtase, então chega Reynaldo Izzepi com um trompete arrebatador”, explicou detalhadamente. 

Imagem: Daniel Doc, Touché e Vitor Miranda / Divulgação

“Como é uma música com muitos elementos sonoros, a cada escuta podemos criar uma história sonora diferente. Experimente!”, finalizou Toché. 

Daniel Doc contou sobre o processo de produção de Margaridarida: “É muito interessante o processo de produção da música trabalhada na palavra. Eu já tinha tido a experiência com o Vitor na Banda da Portaria, que ele é o fundador e eu produzi os últimos trabalhos da banda. Eu acho que essa relação vem se aprofundando e se aperfeiçoando, dessa coisa da poesia transformada em música, numa estética e numa ambientação”, contou.

“A ambientação erótica e romântica vem da própria letra, porque é uma letra que tem essa coisa da brutalidade e da delicadeza ao mesmo tempo, ela (a música) é muito imagética”, disse.  “A gente foi desenvolvendo um arranjo juntos. Fui conversar com o Touché, conhecer as influências dele, ele é um cara que frequenta o Candomblé e então usamos essas referências do Touché, trazendo elas para música. Tem o toque de atabaque e agogô, o’próprio violão do Touché que deu a guia e foi o centro para desenvolver o arranjo”, explicou Daniel.

Ele continuou: “Mas também tem essa coisa bem imagética da letra, do campo, das flores e da liberdade da intimidade a dois. Então eu tive essa ideia de trazer esses elementos como o pau de vento e criar uma ambientação, trazer essa imagem das flores se misturando no campo e se relacionando. Eu quis criar uma textura mais intimista com um teclado de base e depois entrou mais teclados e sintetizadores do nosso parceiro Ricardo Prado, que lindamente conseguiu criar as camadas super interessantes na música”, falou.  “Por último, dando um toque mais sensual, entra o trompete do Reynaldo Izzepi com essa surdina, essa coisa inspirada em Miles Davis, que é muito sensual e traz profundidade e a coisa do vento”, disse. 

E para concluir, ele disse: “A música vai se desenvolvendo por aí, ela passa por vários momentos, tem o momento do meio num arranjo de trompete que eu desenvolvi, que é uma coisa cíclica como se fossem duas pessoas abraçadas e girando, eu imagino. Essa coisa da repetição, sai um pouco o ritmo e fica só essas coisas dos ventos e das cordas. Ela começa com o vento e termina com a chuva, é uma passagem mesmo, como em uma relação”, contou Daniel.

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Sobre o prejeto Margaridáridas

Essa parceria é fruto da amizade entre o poeta Vitor Miranda e o músico Touché, que se conheceram em Cornélio Procópio, cidade onde o músico mora. O projeto nasceu nas conversas de quintais no interior, uma ponte entre a metrópole e o interior do Paraná, numa troca de aprendizados e vivência entre os dois artistas, que também produzem seus próprios videoclipes.

Você também pode ouvir Margaridárida em sua plataforma preferida.

Fernanda Calandro
Fernanda Calandrohttps://gazetadiaria.com/
Profisisonal de Marketing de Conteúdo. Apaixonada por cachorros, comida, tecnologia, marketing, soluções simples e inovadoras. Online desde 1997 | Escrevo para web desde 2014. Contato: [email protected]

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